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A maioria dos professores estão em zonas de guerras internas e externas – Por Uemerson Florencio

 

Quem consegue conviver pacificamente no cenário de altos níveis de toxidades? Como responder de forma saudável dentro de modelos questionáveis de gestão administrativa no ambiente educacional? Como lidar com famílias enfermas e alunos cada vez mais com comportamentos complexos? Muitos profissionais da educação ingressam ao mercado de trabalho com o sonho de agregar valor nas vidas ao longo dos anos.

Atualmente, a maioria dos professores sofrem em diversas frentes – mental, física e emocionalmente. Quem são os professores que estão isentos de viver esta realidade nos dias de hoje?

Muitos professores estão trabalhando com frequente medo, estresse intenso e pisando em ovos nas relações com os alunos e gestores. Uma boa parte deles são desrespeitados pelos pais dos alunos ou pelos próprios gestores administrativos ou pedagógicos. Como eles poderão contribuir de maneira relevante na vida dos alunos?

 

Hoje, podemos testemunhar alguns sintomas que são reflexos das relações tóxicas e abusivas no ambiente escolar, a citar: Dores de cabeça, instabilidade emocional, estresse recorrente, tensão, apreensão, medo, esquecimento da memória recente ou lapsos de memória, movimento peristálticos ou tremores nervosos em regiões como: face, braços e pernas. Podemos acrescentar também, a aceleração dos batimentos cardíacos, instabilidades gástricas, náuseas, enjôos, entre outros.

O que podemos tradizir inicialmente? Que eles estão com fortes sinais de desgaste, exaustão, impotência ou desmotivação. Por mais que eles tenham participado de belíssimas jornadas pedagógicas com profissionais de renome, ao retornar ao ambiente escolar as realidades são outras. Interessantemente o que observamos é que mesmo antes do finalizar o primeiro mês de aula do calendário letivo, a estafa já se faz presente em muitos profissionais. Você viveu esta realidade?

Ainda sobre as jornadas pedagógicas, nada contra a realização delas, mas destaco que é um momento muito limitado ou circunscrito, típico de um evento para a abertura de um perído letivo. Entretanto, ela não consegue entregar todos as soluções vividas pelos profissionais de modo que eles se mantenham nutridos, motivados e com total apoio mental e emocional perante o percurso que lhe espera ao longo do ano. Afinal de contas, é a rotina diária que determina os impactos no corpo físico. Só eles sabem os sapos que engolem a cada dia de trabalho, não é mesmo?

 

Existem diretores escolares que não se permitem a qualquer tipo de diálogo com os professores ou coordenadores. Em geral, muito deles esquivam-se com frequencia, não se permitindo gerar qualquer tipo de abertura para uma comunicação saudável e sem ruídos. Na maioria das vezes, quando age desta forma é porque não possui qualquer conexão raíz com a pauta da educação.

São gestores que não fazem ideia do que é gestão sistêmica da comunicação interna e mais, também não faz ideia dos reflexos da sua falta de posicionamento claro e consistente para favorecer ampla relação de equidade com ênfase no respeito e para a valorização da dignidade humana. Sugestão? RETIRAR-SE DO CARGO para proporcionar bem estar no ambiente educacional, já que a própria presença gera TOXIDADE!

Após o início dos primeiros meses do ano letivo, a maioria dos professores já estão no limite das suas resistências, não importa se eles trabalham na escola pública ou privada. Existem muitas queixas, entre elas, destaca-se: A remuneração; acúmulo de trabalhos; mudança de papel, ou seja, agir como pai ou mãe de alunos com educação doméstica, enfim, são algumas das diversas realidades ou exigências que vão surgindo ao longo do caminho. Contudo, tem um outro aspecto a ser lembrado, para não ficar mal com outros colegas de trabalho ou para não perderem o emprego, continuam seguindo caminhos com total desgosto e, em alguns casos, recaem sobre os alunos. O que você faz nestas circunstâncias?

Há ainda, situações nas quais eles são responsáveis por tudo ou seja, carregam a escola nas costas e são reconhecidos pelo que fazem por parte da gestão administrativa ou coordenações. Só para lembrar, atualmente, já existem pais querendo que os professores deem orientações de como criar os seus próprios filhos. Você já passou por essa situação? Antes os pais autorizavam os professores chamar a atenção dos seus filhos, hoje, os pais vão a escola para fortalecer a desobediências dos seus filhos. Como é enfrentar esta realidade?

É urgente prestar um acompanhamento digno para estes profissionais que cuidam de tantos e não são cuidados de forma justa responsável e comprometida da sua saúde mental e emocional. Sabemos que existem aqueles profissionais que atuam por amor a profissão, mas já existem outros que atuam por oportunidade de mercado, outros que ingressaram por falta de opção para não ficarem desempregados – tão logo, cada perfil que ingressa à educação, terá no ambiente escolar o resultado da soma das suas próprias motivações, história, percepção, coragem, competência ou incompetência.

Muito bem, são muitos os conflitos dentro de si mesmo e no ambiente externo. Nem todas as pessoas conseguem se enxergar dentro do ambiente escolar ainda que tenham a sua carteira assinada. No entanto, para transitar com firmeza, constância e equilíbrio no ambiente escolar é preciso também rever os seus anseios, propósitos que te fazem permanecer na área da educação, a política da escola, disposição e niveis de comprometimento.

Olhar para si mesmo, deve ser um exercício diário. Se o ambiente fortalece a toxidade nas relações interpessoais por meio de fofocas e desconfianças, está na hora de uma reunião aberta, com todos os funcionários para chegar a um termo de ajustamento de conduta. Afinal, ninguém se cura onde se adoece. Plano de trabalho: Reunir, falar, ouvir, ajustar, expor pontos centrais de compromissos públicos e executar na rotina diária. Tudo isso, altera cultura e clima no ambiente escolar. 

Como está a sua saúde emocional nos dias atuais? Você tem apoio substancial da sua coordenação pedagógica quando você precisa ou da direção escolar ou só dão as caras para gerar novas demandas e cobranças? Muito bem, não venho aqui ser o senhor da verdade, mas me proponho a trazer reflexões saudáveis para a revisão de conduta e convidar as vítimas de ambientes tóxicos e abusivos a ingressar numa rota de cura pessoal ou não permanecerá neste local por muito tempo. 

 

* Uemerson Florêncio – Escritor. Treinador, Palestrante e Correspondente Internacional onde expõe sobre a análise da linguagem corporal (estudos das micro expressões faciais e voz), Gestão da imagem, reputação e crises. 

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