
Ainda não aprendi muito sobre a vida, ela é uma escola aberta, vai nos ensinando à medida que passa e para cada pessoa ela passa de uma forma, então não há uma receita certinha de como viver, ela tem que ser adaptada a cada realidade, a cada motivação, a cada tentativa e erro, a cada dia que passa, enfim, ela é dinâmica e segue a rotina de cada ser vivente.
Aprender sobre a vida é um processo que só termina quando morremos, daí em diante sei lá se vamos aprender sobre a morte, nesse caso não me interesso pelo assunto, pretendo aprender muito mais sobre a vida, tenho muito a viver, portanto melhor ficar afiado nessa arte, que muito me encanta apesar dos tropeços.
Tentam criar receitas de vida boa, sei não se dá certo, a vida boa de alguém talvez não seja a vida que eu desejo para mim, assim como o meu conceito de vida boa, pode não se encaixar no conceito de mais ninguém. Mas daí vem aqueles gurus que sabem de tudo e recitam na internet, em vídeos “o que se deve fazer para ser feliz”, olha, muito simples, sem enrolação nenhuma, para ser feliz basta ser feliz com o que você tem e se quiser mais, sendo feliz fica mais fácil de conquistar ponto. Você não precisa comprar “cursos de felicidade”, ela é gratuita, vasculha aí dentro de você, entre gritos, escuridão e barrancos, e vai encontrar um monte de motivos para ser feliz, de graça!
A vida é como um trem cheio de vagões, você embarca nele na estação do seu nascimento e segue a viagem trocando de vagões quando acha necessário, se o vagão em que está fica ruim, desconfortável você pode passar para outro sem maiores problemas, é só abrir a porta e trocar de vagão, buscar um lugar mais legal para fazer a sua viagem. Há quem entra nesse trem e fica no mesmo vagão até o dia do desembarque, daí vai se enchendo de frustrações e rancores, culpando outras pessoas e as circunstâncias pelos seus insucessos, mas era só abrir portas e trocar de vagões, tantas vezes quanto quisesse, para ver no que dava.
Eu queria que a vida tivesse uma receita certinha para funcionar a meu contento, ficaria tudo mais fácil, mas também ela seria muito chata, pensa bem nisso: você tem um sonho, daí para realizá-lo precisaria seguir uma receita assim: fazer isso, fazer aquilo, sair daqui, ir para ali, correr, andar, puxar um saco, deixar que puxem o seu, virar à direita e depois à esquerda, abrir essa porta, fechar aquela e depois receber o prêmio por ter seguido tudo à risca. Infelizmente não é desse jeito, sim você tem que ir daqui para ali, fazer isso e aquilo, mas não é igual para todo mundo. Veja bem que nem um bolo de chocolate, que tem uma receita já testada, fica igual ao outro, cada boleiro tem o seu toque especial e o bolo de um fica mais gostoso do que o do outro, mesmo que usem exatamente os mesmos ingredientes.
Portanto, pare correr atrás de coisas que parecem prontas para se realizar, vai lá e faz o seu, do seu jeito, claro que você pode ir pelo caminho já aberto, mas caminhe como melhor lhe for conveniente, você não precisa fazer o que eu fiz, somos pessoas diferentes, pensamos diferente, temos habilidades distintas e objetivos opostos. Não queira seguir por um caminho que você sabe que não é o seu, simplesmente porque outro passou por ali e conseguiu vencer, até as vitórias são distintas, vencer não é chegar na frente, a não ser que você esteja em uma corrida, a vitória na vida é conseguir alcançar o objetivo que traçado por você lá no começo…
Sem saber nada da vida, ainda aprendendo, aberto ao novo o tempo todo, sigo a minha viagem de vagão em vagão, às vezes entro em um que não é legal, outra vez entro no da ilusão e daí me ferro todo, outra vez sigo alguém e mais uma vez tomo um tombo e aprendo alguma coisa importante quando começo a me levantar. Infelizmente nem as ilusões vêm marcadas como tal, aparecem travestidas até de “oportunidades”, mas se mostram um fiasco, o que nos ilude é lindo, uma promessa de belezas e maravilhas estúpidas, então embarcamos nessa onda, embriagados de sonhos mil, até que a embriaguez passa e abrimos os olhos e, tomara, que não seja tarde, e nem demore a passar, a ressaca. Com o tempo e alguns aprendizados começamos a identificar uma ou outra ilusão, pois já vivemos tantas anteriormente que criamos uma casca, nem grossa e nem fina, pois a qualquer momento ela pode ser rompida, basta que acreditemos em outra ilusão…
Mas também não devemos ser totalmente céticos, fechados em nós mesmos, é preciso caçar, buscar outras coisas, viver, é inventar a coragem e assumir riscos, responsabilidades e acreditar no que diz o seu coração, mas também, em alguns momentos críticos, debater com ele uma ou outra dúvida que surgir, o coração se engana também, ou nos enganamos pensando que vem do coração e está vindo da ansiedade, por isso é bom o debate interno, faz bem e evita crises mais profundas. Veja bem que não estou dando receita de nada, cada um sabe bem o que fazer de sua vida, esse é apenas um conselho miserável, que você não me pediu, mas, atrevido que sou, ouso te dar. Já vivi bastante, corri atrás de ilusões, um monte delas, sonhei sonhos indevidos, levei tombos devidos, sem perceber que caía no vazio, só me dava conta da queda quando o chão já estava próximo, daí não tinha mais jeito, era esperar o baque surdo da burrice espatifando-se no chão seco e duro da idiotice.
O que sei da vida ainda é nada, há um caminho longo a ser percorrido, dessa vez acredito estar indo no rumo certo, pelo menos não estou sendo coadjuvante do sonho de ninguém, estou dentro do meu sonho, fazendo minhas coisas, errando os meus erros, aprendendo novidades, desaprendendo antiguidades, acumulando experiências, jogando fora outras, aproveitando oportunidades, desfazendo de ilusões, acreditando em minha consciência, procurando melhores companhias, aprendendo a caminhar só o necessário para progredir devagar e com alguma segurança, porque a vida não tem pressa é paciente e vai nos moldando, então fica frio, tente acertar mais do que errar e faça escolhas que depois não vão te fazer arrepender-se…
