
Sem muita ideia para escrever, decidi contar um caso qualquer, que talvez nem tenha acontecido, mas se aconteceu não foi comigo e nem com quem conheço. Bom, também não sei ainda sobre o caso, por isso estou enrolando um pouco aqui para ver se penso em alguma história legal ou se fico enrolando até o final.
O caso é o seguinte: tem aqueles dias em que parece que cérebro dá tilt, para quem não conhece essa palavra, acontecia muito “tilt” nas máquinas de fliperama, quando elas entravam em pane e travava, por motivos que eu nunca entendi, então perdíamos as fichas e era preciso reiniciar a máquina, acho que era assim mesmo que acontecia.
Sim você leu certo aí no parágrafo de cima, sou do tempo das fichas, tanto para falar no orelhão, o nome popular do telefone público, quanto para jogar no fliperama, era um tempo em que o vídeo game não era tão popular assim e nem tão cheio de detalhes como são agora, ele era apenas um console que gerava na televisão dois risquinhos rebatendo um pontinho de lá para cá e de cá para lá, quando este não era rebatido e passava direto era ponto do adversário, emocionante!
O fato é que hoje estou em “tilt”, e não existe um jeito de me reiniciar, pelo menos eu não sei de um e nem quero tentar aprender, dizem que dormir conserta, que dar uma volta também conserta, mas já dormi o que chega essa noite e está complicado de dar uma volta com a chuva que está armando lá fora, então vou escrever no modo “tilt” mesmo e ver no que dá. Ah, não me esqueci do tal do caso que eu disse que ia contar, mas ele está meio travado aqui dentro da cabeça, “tilt”, está tudo piscando loucamente aqui dentro da cachola, muito casos, causos e histórias bestas, que nesse momento não têm nada a ver.
Uma coisa chata de ser escritor, cronista, essas coisas todas, é que temos prazo para entregar o texto, o editor não quer nem saber se estamos travados ou não, quer o texto, impossível fazer corpo mole, dar uma de João sem braço, nem assim, porque os editores de texto já reconhecem até a fala para escreverem, que coisa louca, então tenho que inventar qualquer negócio aqui para entregar e torcer para o editor não devolver falando um monte, é, vida de escritor não é essa moleza toda, doce é bom, mas causa cárie e diabetes, e se for rapadura, além disso, quebra o dente…
Mas vamos lá, o primeiro caso é o seguinte: Eu não me lembro a idade que eu tinha, então contarei do jeito que minha mãe me contava. Uma vez minha mãe me levou para assistir a um desfile num Sete de Setembro, lá em Volta Redonda, eu fiquei sentado no meio-fio assistindo o famigerado desfile, segurando uma bandeirinha do Brasil com um catavento verde e amarelo na ponta. Minha mãe se distraiu assistindo o desfile e quando ela deu por si e lembrou-se de mim, eu já não estava mais no meio-fio, onde eu estava? Mistério, desespero e angústia. Então mamãe saiu me procurando, perguntando por um garotinho vestido assim e assado, com uma bandeirinha na mão e ninguém tinha me visto, o que aumentou o desespero dela, procura daqui e pergunta dali, até que um dos assistentes do desfile disse que me viu sim, que era a mascote de um pelotão e desfilava na frente da tropa, começou a bagunça. Minha mãe saiu em velocidade na direção do tal pelotão que eu “liderava”, até que me viu, e foi me acompanhando, quando eu a vi, saí em disparada no meio da tropa, correndo feito um louco, e todo mundo gritava “olha a fujona!”, é que eu tinha cabelo e ele era todo cacheado, meio comprido, então pensaram que eu era uma menina, e foi um fuzuê do caramba, até ela conseguir me pegar… Mais não sei, mas deve ter sido legal, avacalhei um desfile militar em plena ditadura! Putz, um subversivo mirim, agente secreto infantil, infiltrado… Deixa de viagem, Celso, foi só mais uma de suas travessuras!
Eu acho essa história fantástica, pois eu era um menino muito levado, fugia com o varredor de rua, sozinho, na feira para brincar de carrinho no supermercado. Hoje sou um panda se comparado ao que fui na minha infância. São tantas histórias para contar que dão um livro, muito grande, talvez maior do que a Bíblia, porque serão muitos volumes, aprontei mesmo, fui criança de verdade, brincava na rua, soltava pipa, subia em árvores, sentava na bacia de quarar roupas da vizinha, e sei lá mais o que eu aprontava, todo dia aprontava uma e levava umas chineladas.
Era normal eu fugir de casa todo dia de tarde para escorregar no barranco do outro lado da rua, só que não era um barranco qualquer, pois as casas de lá não tinham banheiro, então as pessoas faziam as necessidades no penico e jogavam tudo no barranco enquanto a criançada se divertia. Era legal, não usávamos papelão ou qualquer outra coisa para escorregar, era na bunda livre mesmo, rasgava o short e o resultado, pelo menos no meu caso, era mais chineladas, normais para mim. Mas há uma vantagem em ter escorregado no cocô por tanto tempo, eu não fico doente fácil, só tenho uma colônia de lombrigas permanente, mas que resolvo tomando um Mebendazol de vez em quando, tudo certo e vida que segue.
Eu, que estava em “tilt”, parece que já está resolvido, cheguei até aqui contando dois casos verídicos, e não “causos” de mula sem cabeça ou Saci Pererê, que eu nunca vi na vida, mas que eles existem, ah, sim, existem, tem quem já os viu, então não duvido, vai que um dia qualquer, num “tilt” desses que acontecem eu veja um, ou os dois ao mesmo tempo, Deus me livre!! Até que o saci me parece ser gente boa, mas essa tal de mula sem cabeça, sei não.
Enfim, o fim, chegamos! Espero que o senhor editor deste augusto portal de notícias esteja de bom humor hoje e receba bem o meu texto, foi feito com carinho e dedicação. Espero também que os leitores e leitoras tenham gostado, porque antes eu tinha começado a escrever sobre o impossível e o possível, aquela ladainha de que nada é impossível… Tenta voar por conta própria, por exemplo…
