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Chega!

Chega.

Chega de transformar o Dia Internacional da Mulher em vitrine de flores, descontos e posts cor-de-rosa. Essa data nasceu de luta, de greve, de corpos exaustos exigindo dignidade. Não nasceu para virar campanha de marketing. Quando a história é apagada, o silêncio fica confortável… para quem nunca precisou gritar.

Chega de matarem mulheres. As Marias, Joanas, Beatrizes que pegam ônibus lotado antes do sol nascer, que voltam para casa olhando para trás na calçada vazia, que carregam filhos, contas, sonhos e um medo que ninguém coloca no currículo. Mulheres comuns, vidas comuns… interrompidas por uma violência que insiste em fingir que é exceção.

Chega de matar mulheres trans. Chega de matar mulheres lésbicas. Chega de matar mulheres pretas. Chega de matar mulheres indígenas. O preconceito escolhe alvos, mas a raiz é a mesma: a ideia antiga e doente de que alguns corpos valem menos que outros.

Chega de reduzir mulheres a estatísticas, hashtags ou homenagens de um único dia. Porque enquanto discursos são escritos, nomes continuam sendo apagados de portas, documentos, mesas de jantar.

Chega de dizer que é exagero. Exagero é uma sociedade que se acostumou com a notícia de que uma mulher foi morta… e segue o dia como se fosse apenas mais um número no rodapé da página.

Hoje não é dia de parabéns.
Hoje é dia de memória.
E de um compromisso simples, radical e urgente:

Que nenhuma mulher precise morrer para que a gente finalmente entenda o que significa respeito.

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