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Caso Banco Master: fraude bilionária, prisão do dono e suspeita de esquema que pode chegar a R$ 12 bilhões

Investigação da Polícia Federal mira emissão de títulos falsos e irregularidades que abalaram o sistema financeiro brasileiro

O Caso Banco Master tornou-se um dos maiores escândalos de fraude no sistema financeiro brasileiro em décadas. A polêmica envolve denúncias de emissão de títulos de crédito falsos, manipulação contábil, prisões de executivos e liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) — tudo isso com impactos que podem chegar a R$ 12 bilhões em fraudes suspeitas

A investigação aponta que o Banco Master teria criado e negociado títulos de crédito sem lastro, ou seja, sem garantia líquida, e que eram exibidos como se fossem ativos legítimos no mercado. Esses títulos eram supostamente vendidos a outras instituições financeiras com base em contabilidade “maquiada” e sem verificação técnica adequada. 

Segundo apurações, o banco teria utilizado artifícios contábeis para esconder seu real estado financeiro, mascarando perdas e patrimônio insuficiente, o que criava uma aparência enganosa de solidez. Essa estratégia teria sido usada para atrair investidores e captar recursos com promessas de rentabilidade acima da média de mercado. 

Relatórios apontam que parte da fraude teria sido replicada em contato com outras instituições financeiras, como o Banco de Brasília (BRB), que chegou a negociar ativos suspeitos antes de ser temporariamente afastado de sua diretoria em decorrência das apurações. 

O principal nome no centro do caso é Daniel Bueno Vorcaro, presidente e controlador do Banco Master. Ele foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) no aeroporto de Guarulhos (SP) enquanto tentava embarcar para o exterior. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema.

Vorcaro é suspeito de liderar e coordenar as operações fraudulentas, incluindo emissão de títulos sem lastro e manipulação de contas. A defesa afirma que sua viagem seria de negócios e confirma disposição em colaborar com as autoridades. 

Além de Vorcaro, a PF cumpriu diversos mandados de prisão e busca e apreensão em diferentes estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e o Distrito Federal. Entre os detidos estão executivos ligados ao banco e possíveis envolvidos no esquema de fraude. 

Investigações também apuram se houve participação de “laranjas”, sócios ocultos ou empresas de fachada no processo de emissão dos títulos suspeitos. 

A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com o Banco Central (BC) e o Coaf, mira um esquema de fraude sistêmica no Banco Master. A investigação começou em 2024 após requisitar análise do Ministério Público Federal (MPF). 

Diante das irregularidades detectadas, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de valores, suspendendo qualquer operação de compra ou venda até que a situação seja esclarecida e os prejuízos sejam apurados. 

A Justiça também determinou o bloqueio patrimonial e apreensão de bens dos envolvidos, incluindo carros de luxo, obras de arte e valores em espécie, preventivamente impedindo a dilapidação de recursos que podem servir para o ressarcimento de credores. 

Autoridades estimam que o esquema pode ter movimentado até R$ 12 bilhões em fraudes através de títulos falsos. Esse valor é apontado como um dos maiores já investigados pela PF e deve ter impacto direto em investidores, instituições financeiras e fundos de pensão que compraram esses ativos. 

O caso deve mobilizar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante depósitos e investimentos até certo limite. Estimativas indicam que serão acionados resgates para compensar investidores afetados, o que pode exigir grande parte dos recursos do fundo. 

O caso também desencadeou pressões institucionais, com questionamentos sobre a atuação de órgãos reguladores como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e eventuais conflitos de interesse de autoridades. Parlamentares têm discutido a necessidade de CPI para investigar possíveis falhas de supervisão. 

O Caso Banco Master está em pleno desenvolvimento, com investigação da Polícia Federal apontando um esquema complexo de fraudes bilionárias que inclui emissão de títulos sem lastro, manipulação contábil e suposto conluio entre executivos e outras instituições financeiras. O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, está preso, e a situação segue sob monitoramento judicial, com forte impacto no mercado financeiro, nos investidores e na reputação das autoridades reguladoras brasileiras.

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