
Uma sequência incomum de erupções solares de alta intensidade foi registrada pelos satélites da Nasa nos últimos dias, aumentando o interesse de astrônomos e entusiastas do clima espacial em observações da atividade solar e seus efeitos na Terra. O fenômeno, envolvendo várias explosões classificadas como classe X — a categoria mais poderosa de erupções solares — pode desencadear auroras visíveis em latitudes mais baixas e afetar sistemas tecnológicos nos próximos dias.
Desde o último domingo (1º), uma região ativa do Sol identificada como AR 4366 tem produzido uma série de clarões solares extremamente energéticos, todos classificados como classe X — a mais intensa da escala usada para categorizar explosões solares.
Entre os eventos registrados estão:
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X1.0 no domingo (1º)
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X8.1, a mais potente da série
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X2.8 e X1.6
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X1.5 no dia 3
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X4.2 registrada nesta quarta-feira (4), segundo observações.
As erupções dessas características envolvem liberações gigantescas de energia e, frequentemente, estão associadas à ejeção de grandes quantidades de partículas e plasma solar ao espaço, um fenômeno conhecido como ejeção de massa coronal (CME).
Possíveis efeitos na Terra
Parte do material expelido pelo Sol pode atingir o campo magnético terrestre entre os dias 5 e 6 de fevereiro, de acordo com centros de monitoramento espacial. Quando isso ocorre, o planeta pode experimentar uma tempestade geomagnética, um distúrbio no campo magnético que, embora geralmente de baixa intensidade, pode causar efeitos observáveis no solo.
Entre os possíveis impactos estão:
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Auroras boreais ou austrais mais intensas, potencialmente visíveis em latitudes mais baixas que o habitual
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Interferências em comunicações por rádio
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Alterações temporárias em sinais de navegação e satélites
Especialistas alertam que, apesar da raridade e intensidade das erupções, os efeitos previstos não devem causar danos diretos à vida na superfície da Terra, devido à proteção natural do campo magnético e da atmosfera. Porém, os impactos em astronautas em órbita e em sistemas tecnológicos merecem monitoramento contínuo.
O que são erupções solares de classe X
Erupções solares são grandes explosões de energia no Sol que ocorrem quando o campo magnético se reconfigura abruptamente em regiões ativas repletas de manchas solares. Elas variam em intensidade, sendo:
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Classe C: fraca
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Classe M: moderada
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Classe X: muito intensa — capaz de liberar enormes quantidades de radiação e partículas energéticas.
A classificação dentro da classe X vai de valores como X1.0 a números muito maiores (como o X8.1 registrado recentemente), representando a magnitude do evento.
O momento atual do Sol
A atividade solar está em um ciclo natural de aproximadamente 11 anos, durante o qual episódios de erupções mais intensas são mais frequentes perto do pico do ciclo. Embora episódios isolados de classe X ocorram ao longo de cada ciclo, uma sequência tão concentrada de eventos de alta energia é considerada rara e digna de atenção por parte das comunidades científica e de observadores do céu.
Oportunidade para observadores do céu
Para entusiastas da astronomia e da observação do céu noturno, a possibilidade de auroras polares mais visíveis e intensas é um atrativo. Regiões mais ao norte (no Hemisfério Norte) ou mais ao sul (no Hemisfério Sul) podem apresentar espetáculos luminosos coloridos no céu, especialmente se a tempestade geomagnética atingir níveis fortes o suficiente.
