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NEM AÍ

Foi-se, mas há muito tempo mesmo, minha preocupação com o que os outros acham ou deixam de achar de mim, já me preocupei muito com isso e sabe o que aconteceu comigo? Nada! Eu fiquei paralisado ruminando esse medo feito um boi no pasto que rumina seu alimento para ajudar na digestão, só que no meu caso a ruminação não ajudou em nada, porque eu não conseguia engolir o que era ruminado. 

         Anos de minha vida foram perdidos me preocupando com o que os outros pensavam sobre mim, sendo que eles viviam suas vidas e não me davam satisfação nenhuma de seus atos, já eu me sentia na obrigação de informar sobre cada passo meu, como o piloto de um avião faz com a torre de controle, esperando sua autorização para mudar de rota subir mais ou descer, no meu caso, normalmente a torre não me autorizava fazer nada e eu voltava a ruminar o que já estava podre. 

         Deixei de fazer muitas coisas legais por conta dessa minha atitude imbecil, sei que há várias pessoas que agem da mesma forma, esperando que gente preocupada com os próprios umbigos lhes autorizem a fazer o que desejam, besteira! Somos os principais afetados quando é essa a nossa opção, quando esperamos a aprovação externa para sermos nós mesmos, atrasamos a nossa própria vida enquanto a vida dos “aprovadores/desaprovadores” vai de vento em popa, se não com o vento na polpa, pelo menos com algum vento empurrando para algum lugar. 

          O barco não é o mesmo para todo mundo, então pare de acreditar quando dizem que estamos “todos no mesmo barco”, não estamos! Cada um tem o seu barquinho, alguns têm um barcão, no mesmo oceano, este sim é o mesmo para todos, e cada um deve saber comandar o seu barco, porque eles são distintos em tudo. Eu custei a entender isso e acreditava que o barco era o mesmo para todo mundo, um bestalhão! 

         Um belo dia resolvi dar um sonoro dane-se (bom, não foi dane-se, mas acho que me fiz entender) e minha vida virou outra, assumi o meu barquinho que, coitado, estava jogado numa beira de rio qualquer, cheio de água e quase indo a pique, deu trabalho deixá-lo em condições de navegar e outro trabalho aprender a navegar, mas fui, aos trancos e barrancos, tomando lapadas do vento, perdendo velas e não sabendo remar quando era preciso, mesmo assim fui e cheguei no mar. 

            E olha que levei onda na cabeça, mas o barco não virou, não por minha habilidade, mas porque tive um pouco de sorte ou porque Deus deu uma mãozinha, foi um pouco de cada, eu só acreditei e fui. A princípio eu não tinha um destino certo, navegava pela vida sem ter um plano e um mapa detalhado do caminho, ia pelas estrelas, pelo sol e cheguei a alguns lugares, uns me acolheram outros me repudiaram. Então aprendi que um bom navegador não se faz na tempestade, porque se você entra em uma sem saber o mínimo terá o seu barco afundado, mas sim se preparando para ela, que virá em algum momento da navegação, se ele for preparado para passar pela tormenta até consegue aprender um algo mais, mas se não for, além de nada mais aprender ficará sem o barco. 

        Então dei um tempo na minha navegação errática e fui aprender sobre barcos, marés, ondas, ventos, sol, lua, estrelas, remos, lemes e peixes. Os controladores externos ficaram excitados, falaram que sabiam que eu ia desistir, estavam muito enganados, eu estava apenas virando um marinheiro de fato, e quando lhes dei o “dane-se”, que não era um dane-se e sim um “f@#$-se”, eu já estava longe, em direção ao meu destino. 

            Mesmo preparado ainda sofri nas tempestades, quando elas chegaram me maltrataram, mas eu já sabia sobre elas, sobre ondas e como me comportar, e pus em prática o que aprendi anteriormente, precisei, claro, adaptar conhecimentos à minha realidade de momento, importa é que deu tudo certo, tive umas velas rasgadas, remos perdidos, um leme quebrado, mas foi normal, isso acontece até com navegadores experientes nas suas baladas oceânicas, consertei e voltei ao mar. 

       O importante é que ainda estou vivo e seguindo a minha viagem, sem dar a menor atenção aos chatos de plantão, a quem diz coisas que eu sei ser fruto da inveja, ou da frustração. Tenho um conselho importante, ao invés de tentarem ruminar o que é ruim, se fartem do que é bom e não precisa ser ruminado, sua vida ficará muito melhor, você será mais feliz e mesmo que você ainda não tenha alcançado o seu objetivo e que tenha algumas dificuldades pelo seu caminho, vai continuar esperançoso e a esperança dá o combustível mais importante para a jornada, sem ela nem saímos do lugar, seja num barco de última geração ou numa pequena canoa, tanto faz. 

         Apenas feche os seus ouvidos quando alguém disser que você não consegue, que é difícil e te falta isso ou aquilo, te digo de verdade que pode faltar qualquer coisa material, e sempre vai faltar, menos a esperança, dizem que ela é a última que morre, deve ser porque ela é forte, então, alimente-a com o que você tem de melhor e não a deixe enfraquecer! Só você sabe da sua capacidade, quem está fora não tem ideia do que você é capaz, às vezes nem nós mesmos sabemos de nossa força, mas ela está lá e aparece quando a gente menos espera. 

         Não acredite em mais ninguém, só naquela voz que fica falando com você no silêncio da sua cabeça, sabe quem ela é? Seu “EU” mais profundo, aquele que te conhece melhor do que ninguém, talvez até melhor do que você mesmo em plena consciência, então escuta e faz o que ela fala, não tenha medo de ser feliz, lá no fundo você sabe que ela fala a verdade. 

            Portanto, caro leitor ou leitora, seja mais você, não queira ser como fulano ou cicrano, não tente imitar ninguém, faça suas coisas como você determinar que elas sejam feitas, se pedir ajuda, e você vai, procure gente que está no trecho como você, que já passou por onde você está passando, somente elas podem te mostrar como fazer, não ouça quem nunca saiu da bolha porque o que eles enxergam são só imagens fictícias.          

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