
Nova Delhi / Kolkata — Autoridades de saúde na Índia confirmaram um surto do vírus Nipah em janeiro de 2026, incluindo casos entre profissionais de saúde e um esforço intensificado para conter a disseminação da doença — que pode ter uma mortalidade muito alta e carece de tratamento ou vacina específicos.
Casos em West Bengal reacendem preocupação
O surto começou com a confirmação de pelo menos cinco casos no estado de West Bengal, incluindo dois profissionais de saúde em um hospital privado em Kolkata, que apresentaram sintomas graves e estão sob cuidados intensivos.
Em resposta, autoridades colocaram quase 100 pessoas em quarentena, implementaram rastreamento de contatos e emitiram alertas em nível nacional. Há relatos de que a transmissão pode ter ocorrido por cuidado clínico próximo a um paciente index — um quadro que evidencia a possibilidade de transmissão entre humanos em contextos de contato intensivo.
Reação regional e global
Países vizinhos intensificaram medidas de prevenção:
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Tailândia começou a verificar passageiros vindos da Índia em aeroportos.
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Taiwan anunciou que vai classificar o Nipah como uma doença de notificação obrigatória de maior prioridade.
Especialistas ressaltam que, embora a transmissão entre humanos seja possível, a capacidade do Nipah de se espalhar é considerada limitada em comparação com vírus respiratórios como o SARS-CoV-2, o que ainda dá margem para contenção local se medidas rápidas forem aplicadas.
Entenda o Nipah: mortalidade alta, sem vacina e risco conhecido
O vírus Nipah (NiV) é um patógeno zoonótico identificado pela primeira vez em 1998 na Malásia e Singapura durante um surto associado a porcos.
Ele é transmitido principalmente de animais — especialmente morcegos frugívoros do gênero Pteropus — para humanos e pode ocorrer também de pessoa para pessoa através de contato próximo com secreções ou fluidos corporais.
A doença causa sintomas que vão de febre e mal-estar a inflamação cerebral (encefalite) e insuficiência respiratória, podendo levar ao coma e à morte.
Panorama recente fora da Índia
Antes do surto de 2026, o Bangladesh relatou vários casos de Nipah em 2025, com pelo menos quatro mortes confirmadas no país durante o primeiro semestre do ano passado — evidenciando que a doença aparece quase que anualmente na região.
Segundo relatório da OMS, entre janeiro e agosto de 2025 foram confirmados vários casos fatais em diferentes divisões geográficas no país, com transmissão docorizada pelo contato com animais ou alimentos contaminados.
Historicamente, surtos também já ocorreram em outros estados indianos (como Kerala) em anos recentes, e o vírus Nipah já foi responsável por dezenas a centenas de mortes em episódios anteriores.
Quão grave é o risco global?
Especialistas classificam o risco internacional de disseminação do Nipah como baixo, mas o risco regional e nacional em áreas endêmicas como partes do sul e sudeste asiático é moderado, devido à alta letalidade e à falta de terapias específicas.
A mortalidade observada em surtos varia entre 40% e 75% dos casos, o que faz do Nipah um dos vírus mais letais conhecidos.
Pesquisa e desenvolvimento de vacinas
Apesar de não haver vacina licenciada, a comunidade científica tem mantido esforços para criar imunizantes eficazes. Em 2025, a Universidade de Oxford iniciou ensaios clínicos de fase II de uma vacina contra o Nipah, um passo importante no desenvolvimento de contramedidas médicas.
Especialistas pedem vigilância contínua
Autoridades de saúde pública destacam a importância de detecção precoce, isolamento de casos suspeitos, rastreamento de contatos e proteção de profissionais de saúde como pilares da resposta para evitar propagação mais ampla.
Além disso, a vigilância de eventos em populações animais — especialmente morcegos — é fundamental para antecipar possíveis “spillovers” (transmissões de animal para humano).
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O surto atual está concentrado principalmente no leste da Índia, com impacto regional crescente.
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Não há vacina ou tratamento específico aprovado no momento.
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Países na Ásia estão reforçando vigilância e triagem sanitária para viajantes de áreas afetadas.
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O risco de uma pandemia global continua considerado baixo pelos especialistas, mas o monitoramento é essencial.
