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Delcy Rodríguez negociou secretamente com os EUA antes da captura de Maduro

Uma reportagem exclusiva publicada pelo jornal britânico The Guardian nesta quinta-feira relata que Delcy Rodríguez, atual presidente interina da Venezuela, e seu irmão Jorge Rodríguez, líder da Assembleia Nacional venezuelana, mantiveram conversas secretas com autoridades dos Estados Unidos e do Catar antes da operação militar que capturou o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa.

Segundo fontes ouvidas pelo Guardian, Delcy e Jorge teriam, por meio de intermediários, assegurado aos EUA e ao Catar que estariam dispostos a cooperar com Washington após a deposição de Maduro, embora não tenham concordado em ajudar diretamente na derrubada do presidente.

O jornal afirma que os contatos começaram no outono de 2025 e continuaram mesmo depois de uma ligação telefônica entre o então presidente venezuelano e o presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de novembro, quando Trump exigiu que Maduro deixasse o poder — pedido que foi rejeitado por Maduro.

Em uma das conversas, Delcy teria dito a autoridades norte-americanas que “Maduro precisava sair” e que ela estava pronta para lidar com as consequências após sua remoção.

Na época das negociações, Delcy Rodríguez ocupava o cargo de vice-presidenta da Venezuela. Após a captura de Maduro pelas forças norte-americanas em uma operação militar no início de janeiro de 2026, ela foi empossada como presidente interina em 5 de janeiro.

O relatório do Guardian detalha que, embora tenha oferecido sua cooperação depois da queda de Maduro, Delcy e Jorge não concordaram em ajudar o governo dos EUA a derrubar Maduro ativamente, insistindo que sua intenção era apenas garantir estabilidade após a saída do presidente.

Reportagens complementares destacam que figuras importantes na administração Trump, como o secretário de Estado Marco Rubio, inicialmente céticas sobre trabalhar com membros do regime chavista, passaram a ver nas promessas de cooperação dos Rodríguez uma maneira de evitar o caos e uma possível guerra civil após a deposição de Maduro.

Além disso, segundo fontes citadas, algumas negociações envolveram também representantes do Catar, um país com laços tanto com os EUA quanto com membros da liderança venezuelana, que pode ter atuado como intermediário.

A polêmica em torno das negociações aumentou após o governo venezuelano classificar as informações como “fake news”, segundo agências internacionais. O perfil oficial da presidência venezuelana publicou uma imagem com a manchete do Guardian marcada com a palavra “fake”, embora não tenha oferecido mais comentários públicos detalhados sobre o conteúdo da reportagem.

A reportagem aponta que a suposta cooperação de Delcy Rodríguez com os EUA sugere uma tentativa de minimizar instabilidade política e social na Venezuela após a remoção de Maduro, visando evitar que o país se tornasse um Estado falido.

Especialistas observam que tais negociações, se confirmadas, podem ter influenciado a dinâmica interna do chavismo e o planejamento estratégico dos Estados Unidos na região, sobretudo em termos de transição de poder e interesses econômicos, como a potencial abertura ao setor petrolífero norte-americano.

Resumo

  • Reportagem do The Guardian afirma que Delcy Rodríguez e seu irmão Jorge mantiveram negociações secretas com EUA e Catar antes da captura de Maduro.

  • Eles teriam prometido cooperar com Washington depois da deposição, mas não ajudaram ativamente a derrubar Maduro.

  • A presidente interina assumiu após a captura e defensores norte-americanos viram sua cooperação como forma de prevenir caos institucional.

  • O governo venezuelano classificou a notícia como falsa, gerando controvérsia internacional.

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