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Câncer colorretal é segunda causa de morte por câncer no mundo; 5% a 10% dos casos têm origem hereditária

Embora o risco de desenvolver câncer colorretal seja fortemente influenciado pelo estilo de vida, a presença de familiares já acometidos pela doença pode contribuir para o desenvolvimento do problema. Nestes casos, o mapeamento genético permite reduzir risco em três gerações.

O risco ao longo da vida da população em geral desenvolver câncer colorretal é de aproximadamente 1 em 23 (4,3%) para homens e 1 em 25 (4,0%) para mulheres. No entanto, ele pode ser multiplicado por 4 se houver história familiar de câncer de cólon ou reto. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são previstos 45 mil novos casos no Brasil de câncer colorretal (intestino grosso/cólon e reto) em cada ano do triênio 2023-2025, com 70% concentrados nas regiões Sudeste e Sul.

O desenvolvimento do câncer colorretal é o resultado de uma interação de fatores ambientais e fatores genéticos. O diagnóstico precoce, quando se trata do tratamento do câncer, é considerado um elemento que pode fazer a diferença. O câncer colorretal é uma doença causada, principalmente, por alterações genéticas esporádicas (associadas com fatores ambientais), mas entre 5% e 10% essas alterações são hereditárias, cuja predisposição pode ser diagnosticada com testes genéticos.

Alteração genética hereditária

Em 5% a 10% dos casos, o câncer colorretal tem como protagonista uma alteração genética hereditária, alerta a Igenomix Brasil, em alusão ao março azul-marinho, mês de conscientização sobre a doença. As duas síndromes mais frequentemente associadas com o câncer colorretal são a polipose adenomatosa familiar e o câncer colorretal hereditário não polipose, também chamado de síndrome de Lynch. Na síndrome adenomatosa familiar, causada por uma mutação no gene APC, o risco de desenvolver câncer colorretal após os 50 anos é de quase 100%. Já o risco que um portador de alterações em genes relacionados com a síndrome de Lynch desenvolver a doença pode chegar a 80%.

A síndrome de Lynch é a mais comum no câncer colorretal hereditário. Ela é caracterizada por alteração, principalmente, nos genes MLH1, MSH2, MHH6 e PMS2. Ao menos 7 entre 10 pessoas com uma destas mutações desenvolverá a doença ao longo da vida. “Isso ocorre porque estes genes têm a função de corrigir os danos que são causados ao DNA. Com a mutação, o gene deixa de funcionar corretamente, resultando assim em aceleração e erros em seu processo de divisão e multiplicação celular”, explica Diego Miguel, médico geneticista e diretor médico da Igenomix Brasil.

Com o avanço do sequenciamento de nova geração (NGS), é recomendável realizar a análise de um painel com um amplo espectro de genes relevantes de predisposição ao câncer. Como exemplo, o painel Gastrointestinal investiga 42 genes que são associados com risco hereditário para câncer colorretal, estômago, pâncreas, esôfago, duodeno e intestino delgado.  “Podemos indicar painéis ampliados de genes que investigam a predisposição para câncer de acordo com as características clínicas e histórico pessoal e familiar. Ao identificar a mutação, somos capazes de oferecer um cuidado mais adequado, como antecipação da idade e maior frequência de colonoscopias e outras medidas profiláticas, reduzindo o risco de desenvolvimento da doença”, ressalta Diego Miguel.

Cuidado personalizado em câncer hereditário – O acompanhamento dos pacientes com alteração genética associada com maior predisposição hereditária deve seguir o guideline do National Comprehensive Cancer Network (NCCN). Caso a família tenha histórico de câncer colorretal ou pólipos pré-cancerosos, o rastreamento neste paciente, com exame de colonoscopia, começa antes dos 40 anos e deve ser repetido novamente em cinco anos, mesmo que nenhum pólipo tenha sido encontrado na avaliação anterior.

Ao ser identificada a alteração genética associado com câncer colorretal hereditário é importante que o resultado do teste genético e as informações recebidas em consultas de aconselhamento sejam compartilhados com os pacientes. Este cuidado pode beneficiar as futuras gerações. Comparativamente, com um parente de primeiro grau, cerca de metade (50%) de seus genes são compartilhados. Um quarto (25%) de seus genes são compartilhados com parentes de segundo grau, enquanto parentes de terceiro grau compartilham 12,5% dos genes.

Principais recomendações quando o assunto é câncer colorretal hereditário:

– Quando um mais de seus parentes de primeiro grau tiveram câncer colorretal a primeira colonoscopia deve ocorrer aos 40 anos ou 10 anos antes do primeiro diagnóstico de seus parentes. Reavaliar a cada cinco anos.

– Quando um ou mais de seus parentes de segundo e terceiro grau tiveram câncer colorretal a primeira colonoscopia deve ocorrer em geral aos 45 anos ou antes desta idade se o câncer de um parente teve início em idade precoce. Reavaliar a cada dez anos.

– Quando um ou mais parentes de primeiro grau tiveram um adenoma avançado ou pólipo serrilhado séssil avançado a primeira colonoscopia é recomendada aos 40 anos ou na mesma idade que seu parente tinha no momento do diagnóstico. Reexaminar a cada 5 a 10 anos.

– Em alguns casos, principalmente na polipose adenomatosa familiar, a vigilância com colonoscopias periódicas pode começar na adolescência. Quando o exame identifica uma quantidade considerável de pólipos (mais frequente no começo da vida adulta) uma colectomia total é indicada. Nessa cirurgia, todo o intestino grosso do paciente é removido. Outra possibilidade é a realização de proctocolectomia total, em que o reto do paciente é removido cirurgicamente, juntamente do cólon (intestino). Essa cirurgia é indicada quando há muitos pólipos no reto que não podem ser removidos por colonoscopia. 

– As chances de desenvolver mais de um tumor no cólon também são altas. Por conta disso, ao invés de retirar apenas a parte do intestino com câncer, em casos selecionados, também se recomenda uma colectomia total. Nessa cirurgia, o todo o cólon do paciente é removido, mas o reto é preservado.

Sobre a Igenomix – A Igenomix é um laboratório de biotecnologia que ajuda no sucesso dos tratamentos de Reprodução Assistida, diagnóstico e prevenção de Doenças Genéticas parte do grupo Vitrolife. Juntamente com clínicas e médicos em todo o mundo, investiga como a medicina de precisão, por meio da genômica, pode salvar vidas. Atuante em mais de 80 países, conta com 25 laboratórios genéticos. Com quase 500 publicações científicas e seis patentes, é um importante produtor de ciência em saúde reprodutiva e genética.  

Fonte: SENSU Consultoria de Comunicação 

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