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A VIDA: UMA DELICIOSA PELEJA

Que delícia é estar vivo! Eu aprecio muito a minha vida, cheia de pelejas diárias e também de acontecimentos especiais, acredito que a sua vida é desse jeito, a vida de todo mundo é assim, uns dias bons, outros ruins, não necessariamente nessa ordem, o que fazer, senão viver e ir com tudo pelos becos e labirintos que nos aparecem? 

         Eu vou numa boa, às vezes nem numa tão boa assim, é normal perder a paciência de vez em quando, só não pode viver sem paciência o tempo todo, porque assim complica mais o que já é difícil. Mas quem disse que ia ser fácil? Eu não me lembro de ninguém dizendo que minha vida seria mamão com açúcar, nunca foi. Já ao nascer vim ao mundo pelado, sem dentes e não sabia falar, só chorar, e o médico que fez o meu parto ainda me deu uma palmada logo que saí da barriga da minha mãe, uma prévia do que estava por vir, tipo dizendo: “essa é a primeira de muitas, vai se acostumando, moleque…”, não me acostumei com as palmadas e nem com as chineladas, mas acho que mereci cada vez que levei umas, não muito boas, sovas. 

       Enfim, a vida continua, ela sempre continua a não ser quando ela acaba, pelo menos essa vida terrena chega ao final, depois não sei como é, dizem que é legal, coisa e tal, mas continuo preferindo a vida mundana, não quero ir tão cedo para onde eu não conheço e não sei como é. Enfrento com galhardia os desafios impostos, os que eu mesmo crio e os que aparecem sem ser esperados, assim como aquela visita chata que aparece do nada no domingo e passa o dia todo perturbando, bisbilhotando a sua vida para depois contar tudo para os outros, só vai embora depois do Fantástico, e mesmo assim porque você diz que está cansado e quer dormir, ufa! 

    Tirando a peleja de esconder os doces mais gostosos, a lasanha que estava sendo preparada com tanto entusiasmo, antes da visita chegar, e trocando pelo bom e velho frango assado comprado na padaria, que a visita faz de besta e não ajuda a pagar, os boletos atrasados para não serem vistos, aquela correria para mudar os planos quando acontece da campainha tocar e estar ali do outro lado da porta aquela pessoa que vai tornar o seu dia um horror, o resto é uma belezura total na vida. Quer saber? Melhor aturar gente chata do que ficar debaixo de sete palmos de terra, pronto falei! Lá naquele buraco deve ser um horror, cheio de vermes querendo um pedaço da sua carne, Deus me livre! É, mas não vou me livrar dessa, e nem você que está lendo essa crônica! Vamos todos para lá um dia. Que o meu demore, e o seu também! 

        Como dizem por aí: “melhor estar vivo do que morto!”, sabedoria popular que eu assino embaixo, afinal eu sou do povo e gosto de ser assim. A vida tem possibilidades, podemos escolher entre o “sim” e o “não”, e fazemos isso o tempo todo, ela é um conjunto de escolhas que vamos fazendo todo dia, escrevo ou não escrevo, declaro meu amor ou não declaro (nesse caso recomendo declarar, vai que seja a sua última oportunidade…), quero ser médico e ganhar dinheiro ou escritor e pelejar para pagar as contas no final do mês? (nesse outro caso, recomendo que escolha o que te faça mais feliz, nem sempre o dinheiro é um canal de felicidade, vai por mim!), ou, finalmente, se você continua ou não a ler este texto (Nesse mais outro caso, peço encarecidamente que sim, esse negócio de “tempo de permanência” me ajuda a manter a minha coluna aqui). Viu como a vida pode ser bem legal? A gente só não pode ficar no meio, mas por que não? Afinal não decidir é uma escolha também, não precisamos ter opinião sobre tudo, eu, por exemplo não tenho opinião sobre os extraterrestres. e minha vida continua, e não estou nem aí se eles têm uma opinião sobre mim… 

        Importante dizer que é maravilhoso poder acordar de manhã e ter um sonho a se realizar, ter alguma coisa para fazer, seja útil ou inútil, nem que seja ficar assistindo televisão, maratonando séries, procurando canais de esportes, indo para a rua fazer nada e comprar alguma coisa que não se sabe como funciona só porque alguém falou que é bom, quem nunca chegou em casa com um produto qualquer que comprou sem precisar, sem saber para que serve e se arrepende depois? Faz parte da vida, é a peleja diária, por isso quando não tenho muito o que fazer e decido ir para a rua, passo na loja do Montenegro e fico lá pentelhando ele por algum tempo, depois ele ainda me paga um café… 

           Meus estimados leitores, eu adoro viver, tenho problemas como todo mundo, resolvo alguns escrevendo, outros não resolvo e tem aqueles que ainda nem sei que existem, mas eles ficam lá, como pintinho em ovo, só esperando a hora de eclodir, são aqueles problemas que a gente nem acha que é problema, mas que quando eles cismam de quebrar a casca dão um problemão danado. 

            Quem nunca teve bicho de pé não sabe como é, é uma coceirinha gostosa, que depois começa a doer e no final, se o bicho não for retirado, inflama. A vida é mais ou menos assim, começa muito gostosa, o tempo da infância, da brincadeira, da hora de almoçar, de tomar banho, do jantar e de dormir; depois vem a escola, provas, primeiro amor, notas vermelhas, castigo, recuperação (sou desse tempo), e tomara não tomar pau!, depois vem o tempo do trabalho, chefe chato, metas, objetivos (cada vez mais complicados de se alcançar), contas para pagar… É a vida evoluindo e mostrando as garras. 

         O que seria de nós se não fosse o crescimento, tanto o físico, quanto o intelectual e o pessoal? Talvez fôssemos como os animais, que nascem, crescem, reproduzem, alguns viram alimentos para os homens e outros animais, e, quando não são comidos, morrem, assim como o ser humano. Prefiro a vida humana, mesmo sendo comido diariamente pelo tal do sistema, de quem tanto falam, mas eu nunca vi, nem sei quem é, só sei que ele se diverte comigo, não ria, que você também está nessa festa! Talvez ele, o sistema, seja um fantasma que ronda a nossa vida, mas esse é um assunto para outra crônica. 

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